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Medicina do esporte

O pé do corredor. Uma das bases necessárias para melhorar seu desempenho!

Pensando no corpo como uma linda e complexa rede de ossos de diversos tamanhos e formas, músculos envolvidos em movimentos de mais de uma articulação, fáscias, tendões, cápsulas e tantas outras estruturas, percebemos que a INDIVIDUALIDADE deve ser sempre respeitada tanto no treinamento como na reabilitação.

 

Já ocorreu com você?

 

  • Comprei o tênis tal porque melhorou a postura do atleta que corre comigo!
  • Vou aquecer e alongar, tanto antes como depois porque um parceiro disse que é ótimo para correr de forma certa!

 

Sem receita de bolo ok! Vamos lembrar que nosso corpo é uma “máquina” onde cada um tem um “manual” diferente do outro e nem sempre o que vale para um vale para todos.

 

Quando temos dores nos pés, logo pensamos em palmilhas, apoio para calcanhar e outros dispositivos que podem ser necessários para as fases agudas de uma lesão que depois de tratada terá uma abordagem de reabilitação diferente.

 

Estudo de (O. McKeon et al. 2018) descreveu que um programa de fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé é fundamental, assim como também fazemos para outras partes do corpo.

 

Sim atletas, existe também a musculação para que os pés estejam fortes e funcionais durante a corrida.

 

Dessa maneira, correr de forma adequada será um prazer, uma satisfação!

 

Logo mais estamos de volta!

Robério Pires

Fisioterapeuta – CREFITO 376.006-F

telefone para agendar sessões de fisioterapia com pedido médico: 3031-7689

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Medicina do esporte

Doenças cardiológicas causadas pelo uso ilícito de hormônios anabolizantes

O uso de anabolizantes por esportistas e praticantes de musculação tem aumentado de forma significativa nos últimos anos, porém são vários os problemas de saúde causados pelo uso inadequado destes hormônios.

Seu uso está associado a problemas de fígado (insuficiência hepática ou tumores no fígado), infertilidade, acne, alterações comportamentais (especialmente agressividade), elevação de colesterol, da pressão arterial e da incidência de doenças cardiológicas. Em homens pode causar crescimento das mamas, queda de cabelo, atrofia dos testículos e redução da produção de espermatozóides.

Em maio de 2017, a umas das revistas mais importantes na cardiologia, a Circulation, publicou um estudo que avaliou a associação de doença cardíaca com o uso de hormônios anabolizantes em um grupo de fisiculturistas. Foram comparados não usuários de anabolizantes em relação aos que fizeram uso deles por um período que totalizou 2 anos de dose acumulada.

Neste estudo, os usuários de anabolizantes apresentaram redução significativa da fração de ejeção e da função sistólica do ventrículo esquerdo do coração (redução na capacidade de contração do coração) e um aumento importante das placas de arteriosclerose nas coronárias.

Os fatores mais importantes para o aparecimento destas alterações foram as doses mais altas e o maior tempo de uso de anabolizantes.

O artigo ressalta ainda que em torno de 80% dos usuários não são atletas profissionais e sim praticantes recreativos de musculação ou outros esportes motivados por fins estéticos.

 

É importante reforçar que a reposição de testosterona é indicada apenas em casos de deficiência bem documentada deste hormônio em homens (quando realmente necessária e com acompanhamento médico rigoroso é bastante segura) e muito raramente para mulheres. É assustador o número de mulheres que acredita ter deficiência de testosterona e já chega ao consultório com certeza da necessidade da sua reposição, especialmente mulheres jovens induzidas por falsas promessas feitas por profissionais ruins.

Não existe a famosa modulação hormonal, terapia anti-aging nem qualquer tipo de milagre para se adquirir um corpo bonito e saudável. Fuja de profissionais que façam este tipo de promessa.

E em caso de homens que desejam ter filhos a reposição de testosterona deve avaliada com muito pois pode causar infertilidade.

Pratique atividades físicas na maior intensidade que puder, tenha uma alimentação saudável a avalie com critério a necessidade de recursos ergogênicos e suplementos alimentares que possam trazer benefícios reais para você.

Fonte:

Cardiovascular Toxicity of Illicit Anabolic-Androgenic Steroid Use.

Baggish AL, Weiner RB, Kanayama G, Hudson JI, Lu MT, Hoffmann U, Pope HG Jr.

Circulation. 2017 May 23;135(21):1991-2002. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.116.026945.

PMID: 28533317

Dra.Fernanda Pena Moreira

CRM 170.765

Tel para consultas: 3050-5123

Formação acadêmica

  • Formada em medicina pela UFMG
  • Título de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira em Endocrinologia e Metabologia – SBEM
  • Residência médica credenciada pelo MEC em Endocrinologia no Hospital da Previdência de Minas Gerais.
  • Residência médica credenciada pelo MEC em Clínica Médica no Hospital Santa Casa de Belo Horizonte.

Áreas principais de atuação

  • Endocrinologia do esporte
  • Diabetes mellitus
  • Obesidade
  • Doenças da tireoide
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Medicina do esporte

Quem precisa de suplementos alimentares ou ergogênicos?

O uso de suplementos alimentares e de outros recursos ergogênicos pode ser muito importante para o desempenho atlético. Atletas de elite geralmente tem indicação de usá-los. E atletas amadores envolvidos em esportes com treinamentos intensos e com altas demandas também pode se beneficiar.

Muitos indivíduos fazem treinamentos de alta intensidade e de longa duração, alguns com mais de 2 a 3 horas por dia, de 5 a 6 vezes por semana, e nestes casos o uso de suplementos passa a ser necessário para atingir as demandas metabólicas e energéticas elevadas, difíceis de serem atingidas na dieta habitual, principalmente em caso de atletas mais pesados.

A ingestão inadequada de calorias assim como a má qualidade de distribuição dos nutrientes pode levar a perda de peso e de massa magra, pode aumentar a incidência de infecções, aumentar a incidência de overtraining e de lesões. E consequentemente pode reduzir o desempenho.

Cabe ao profissional que a acompanha a estratégia nutricional e de treinamento do indivíduo determinar as suas necessidades energéticas assim como a melhor distribuição de macro e micronutrientes e a indicação de suplementos necessários para atender a sua demanda. E ainda é necessário que se avalie as particularidades de cada esporte para orientar qual recurso ergogênico ou suplemento poderá elevar a performance daquele atleta específico.

Porém nem todas as pessoas precisam ou se beneficiam de alguma forma do uso de suplementos. Para a maioria dos praticantes de atividade física que façam atividades de intensidade leve a moderada, de duração de até 60 minutos em torno de 3 a 4 vezes por semana, uma alimentação balanceada é suficiente.

Procure um profissional que possa ajudá-lo de forma ética e responsável a conquistar seus objetivos e sua melhor performance!

Dra.Fernanda Pena Moreira

CRM 170.765

Tel para consultas: 3050-5123

Formação acadêmica

  • Formada em medicina pela UFMG
  • Título de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira em Endocrinologia e Metabologia – SBEM
  • Residência médica credenciada pelo MEC em Endocrinologia no Hospital da Previdência de Minas Gerais.
  • Residência médica credenciada pelo MEC em Clínica Médica no Hospital Santa Casa de Belo Horizonte.

Áreas principais de atuação

  • Endocrinologia do esporte
  • Diabetes mellitus
  • Obesidade
  • Doenças da tireoide
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Artigos Depoimento Dicas de treinamento Medicina do esporte

Aula sobre lesões do Triathlon no Congresso da Academia Americana de Ortopedia (AAOS) 2018

No dia 10 de março eu fui convidada para dar uma aula no Congresso Americano de Ortopedia (AAOS) em New Orleans.

O tema que me pediram para falar foi: “Perspectiva da América do Sul: lesões no triathlon.”

Na aula contei um pouco da história do triathlon que é um esporte relativamente novo e tem suas raizes na França em 1920 com uma prova sem paradas de corrida/ciclismo e natação chamada “Le trois sports”.

Pela primeira vez chamado de triathlon  com natação/ciclismo/corrida foi uma prova que aconteceu no dia 25 de setembro de 1974 em Mission Bay, San Diego, California. Essa é a dta considerada o aniversário do triathlon moderno. Havia 46 pessoas para completar um evento multiesportivo que consistiu em 500 yard de natação,  5 milhas de ciclismoe e 6 milhas de corrida.

O Ironman nasceu em 1978 como uma forma de desafiar atletas que tiveram sucesso em natação de resistência e eventos de corrida. Judy e John Collins, um casal da Marinha, com base em Honolulu, propuseram combinar as três corridas de resistência mais duras em Hawaii:  2.4  milhas Waikiki Roughwater Swim, 112 milhas da Around-O’ahu Bike Race e  26,2 milhas da  Marathon Honolulu em um evento. Em 18 de fevereiro de 1978 , quinze pessoas competem com o primeiro IRONMAN.

No início de 1982  a emissora ABC  transmitiu o IRONMAN e havia aproximadamente  600 atletas competindo. Esse número aumentou para mais de 2000 em 2018 , quando esta corrida irá comemora o 40º aniversário.

A União Internacional de Triatlo (ITU) foi fundada em 1989  como órgão governamental internacional do esporte e fez sua estréia no programa olímpico nos Jogos de Sydney em 2000 na distância olímpica.

Associada à tendência da consciência da saúde e bem estar, o triatlo estabeleceu-se como um esporte para massas. Há poucos trabalhos sobre esse esporte especificamente. No entanto, é o único esporte onde os profissionais e os amadores competem na mesma prova, não importando a distância dela.
Na literatura sabe-se que o principal fator de risco para lesão no triatlo não profissional é a participação em um evento de triatlo competitivo.

Foi muito interessante falar dessas lesões para uma platéia de ortopedistas do mundo todo uma vez que isso é o que atendo diariamente no meu consultório, além do fato de eu também ser uma triathleta amadora.

É muito importante observar que o triathlon é um esporte não três. Assim, quando o cirurgião ortopedista vê as lesões, ele deve entender todas as demandas dessa atividade física para entender a causa da lesão e fazer o tratamento na direção certa.

As lesões por uso excessivo representam a maior porcentagem de lesões relacionadas ao esporte que exigem tratamento médico. Os hábitos de treinamento são extremamente variáveis e não diretamente relacionados à incidência ou ao tipo de lesão.

As lesões de “overuse” são a causa relatada em 41% das lesões e  2/3 delas ocorrem durante a corrida. Os locais mais freqüentemente afetados são o tornozelo / pé, coxa, perna. A incidência de lesão não está relacionada com a quantidade média de treinamento ou competição semanal, intensidade ou freqüência de treinamento.

As lesões dependem da fadiga muscular e isso diminui o desempenho e induz o atleta a treinar mais para aumentar o desempenho e, por sua vez, causa ainda mais fadiga. O treinamento de força associado ao treinamento de resistência dentro da especificidade da distância e do tipo de atleta é a chave para prevenir lesões.

Dra. Kelly Cristina Stéfani

Médica ortopedista e triathleta amadora

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Depoimento Dicas de treinamento Medicina do esporte

COMO ESCOLHER UM TÊNIS DE CORRIDA – NÃO EXISTE RECEITA DE BOLO

coluna-kelly-novembro

Assisti o  vídeo do Gustavo Maia de 19-01-2107 com o tema: Tênis para tipos de pisada e drop de tênis (uma opinião). Tênis para tipos de pisada e drop de tênis (uma opinião).

Ele deu a opinião dele como corredor e jornalista que conversou com vários profissionais. Um dos profissionais que ele conversou foi comigo.

Vamos falar agora de como escolher um tênis de corrida do ponto de vista de uma ortopedista especialista em pé e tornozelo / medicina esportiva e  triathleta.

Em primeiro lugar você precisa de uma avaliação de um ortopedista de sua confiança para entender quais suas características anatômicas e biomecânicas que irão influenciar na decisão final.

Não existe uma “receita de bolo” e sim a individualidade e especificidade.

O apelo da mídia e as estratégias de marketing são armadilhas comuns atualmente, então é importante que você tenha análise crítica nas leituras nas diversas formas de comunicação atual.

Muitas marcas simplesmente fazem seus tênis na China baseados apenas em design e colocam suas marcas e apostam em estratégias agressivas de marketing. Outras marcas investem em pesquisa e realmente utilizam materiais de qualidade na confecção de seus calçados. O seu ortopedista saberá indicar e te orientar nesse quesito. Hoje existe uma revista cientifica especializada em calçados, onde as conclusões são baseadas em testes biomecânicos adequados e não em “achismos”.

Já li várias matérias na internet e até livros que citam publicações científicas com interpretação errônea. Muito cuidado com o que você lê e acredita!!! Outro aspecto é olhar de forma critica para as publicações científicas. Eu sou orientadora de teses de mestrado e doutorado na área de pé e tornozelo e editora de uma Revista Científica especializada em pé e tornozelo e entendo que trabalhos científicos são para a comunidade científica e não para leigos. Simplesmente porque a comuniddade leiga não tem informações técnicas para interpretar o que o trabalho está dizendo ou até mesmo avaliar a qualidade técnica daquele trabalho científico. Outro fator importante é que um trabalho científico publicado não significa que é uma verdade absoluta!!! Primeiro os trabalhos devem ser metodologicamente estruturados, senão as afirmações finais podem não ser verdadeiras. Segundo, eles têm que ter aplicabilidade prática e não ser apenas teóricos e funcionarem em laboratório. Portanto, o ortopedista especialista em pé e tornozelo que trabalhe com atletas tem as informações técnicas para interpretar esses trabalhos e “traduzir” para a linguagem leiga a importância e o significado desses trabalhos para o paciente em questão.

Cuidado com lojas especializadas em tênis, pois o vendedor não é qualificado para indicar o tênis adequado para você. Por exemplo, os comuns testes de baropodometria estática não tem nenhum significado técnico para escolha do tênis e uma esteira na loja para você correr não necessariamente irá ajudar na escolha. A avaliação do gesto esportivo deve ser feita por um profissional qualificado e é associada a outros critérios.

Mas algumas dicas são úteis:

  1. NÃO EXISTE RECEITA DE BOLO!!! INDIVIDUALIDADE É A PALAVRA CHAVE!!!
  2. Cada corredor tem uma pisada: neutra, supinada ou pronada. Isso se assemelha a cada pessoa ter uma cor de cabelo: preto, loiro e vermelho. Ou seja, são características individuais. Falar que o tênis neutro é melhor é a mesma coisa que mandar todos loiros e ruivos tingirem o cabelo de preto é que normal!!! Não tem sentido!!!
  3. TÊNIS NEUTRO NÃO GERA MENOS OU MAIS LESÃO!!!!
  4. O tipo de pisada (determinado pelo ortopedista) é importante, mas coadjuvante na escolha, a biomecânica da corrida é mais importante. Na dúvida opte pelo tênis de pisada neutra.
  5. O gesto esportivo: aterrisagem com o retropé ou com o mediopé são características pessoais e estão correlacionadas com peso, altura, idade, potência de massa muscular, nível de treinamento, memória muscular (desde quando você pratica atividade física???). O gesto pode ser treinado e aprimorado, sem dúvida, com ajuda de um educador físico e ou fisioterapeuta, entretanto um corredor adulto modificar a aterrisagem de retropé para mediopé e extremamente improvável.
  6. Escolher o tipo de amortecimento: corredores mais pesados, com menor potência muscular e com aterrisagem no retropé necessitam de maior amortecimento e não se beneficiam de tênis leves e minimalistas. Em contra partida os corredores mais rápidos são os que têm menor gasto energético para executar a passada e têm gesto esportivo melhor. Esses corredores podem ser candidatos a utilizarem tênis minimalistas.
  7. O drop do tênis não deve ser elevado, pois senão é como correr de “salto alto”. Os corredores que aterrissam com o retropé precisam de um drop maior os que aterrissam com o médio pé nem tanto.
  8. O tênis deve ser flexível, mas estruturado para proteger e dar estabilidade para o pé e tornozelo.
  9. Correr descalço é válido para quem anda o dia todo descalço, caso contrário não faz sentido
  10. Sempre consulte seu ortopedista de confiança especialista em pé e tornozelo pois ele é o profissional mais qualificado para te auxiliar na escolha do melhor tênis baseado em suas características individuais.

 

Bons treinos, sem lesões!!!

Dra.Kelly Cristina Stéfani

Ortopedista especialista em pé e tornozelo/medicina esportiva

Triatheta amadora na distância Ironman

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Artigos Medicina do esporte

Entorses de Tornozelo

entorse tnz

O traumatismo das estruturas ligamentares do tornozelo é uma lesão desportiva bem comum. A maioria dessas lesões ocorre na parte lateral do tornozelo (e geralmente com o pé para dentro). O tipo de entorse mais comum do tornozelo é o entorse que combina os movimentos de plantiflexão (posição do pé no ballet) com inversão (“virar o pé para dentro”). O dano inicial acomete os ligamentos laterais do pé, sendo que eles são compostos por 3 ligamentos diferentes: o talofibular anterior,  o calcaneofibular e o talofibular posterior. De acordo com a intensidade da energia dissipada no entorse os ligamentos são lesionados 1, 2 ou os 3.

Os sinais e sintomas dessa lesão variam de acordo com a gravidade do entorse, os tecidos acometidos e a extensão de seu acometimento. Em geral, são evidentes graus variáveis de dor, edema, hipersensibilidade localizada e incapacidade funcional (incapacidade de realizar as atividades da nossa vida diária).

Após um entorse de tornozelo, a consulta ao médico ortopedista especialista em pé e tornozelo é muito importante, já que ele vai avaliar o grau do entorse, os exames a serem realizados e qual tratamento seguir.

Independente de qual tratamento seguir, o paciente geralmente necessita de um tratamento fisioterapêutico, para seu retorno total às atividades diárias e deportivas.

O tratamento fisioterapêutico para os entorses de tornozelo tem, por objetivo, proporcionar estabilidade dinâmica a uma articulação potencialmente instável. Durante a fase aguda (com imobilização ou não), devemos enfatizar o controle da dor e a manutenção do condicionamento geral do paciente. Geralmente usa-se o gelo (crioterapia) com compressão focal ao redor da parte lateral do tornozelo; eletroterapia para auxiliar na redução do edema e da dor. Dependendo do grau de lesão, os movimentos do tornozelo guiados pelo fisioterapeuta e a marcha com sustentação parcial ou total do peso, e os exercícios isométricos são liberados.

Em uma fase mais intermediária do tratamento, nossa atenção se volta para os ligamentos em fase de cicatrização. A sustentação do peso deverá progredir até o apoio pleno do pé durante a caminhada. Os exercícios evoluem e pode-se inicar treinos em bicicleta estacionária e alguns exercícios de equilíbrio e propriocepção.

Na fase terminal da reabilitação, deverão receber prioridades as atividades progressivas em cadeia cinética fechada com ênfase na restauração da percepção cinestésica e da força do quadril.

Espere um pouco…..Quadril? Entorse de tornozelo?

 

Sim!

Em 1994, Bullock-Saxton (*) nos mostrou que a função dos músculos do quadril é comprometida com as entorses de tornozelo. O recrutamento do músculo glúteo máximo pode ser retardado durante a extensão do quadril (levar a perna toda para trás) durante a caminhada normal; e a fraqueza do músculo glúteo médio pode fazer aumentar o estresse de inversão (“levar o pé para dentro”) imposto ao tornozelo.

Com o paciente quase reabilitado, precisamos treinar os gestos esportivos e evoluir com os treinos de equilíbrio, propriocepção e iniciar os treinos de pliometria (saltos).

Com essa visão mais diferenciada sobre os entorses, conseguimos retornar o paciente às suas atividades com conhecimento para prevenir futuras lesões, além de integrar melhor sua propriocepção corporal.

 

(*)Bullock-Saxton, J.E (1994): Local sensation and altered hip muscle function following severe ankle sprain. Phys Ther., 74:17-31

Izabel Tavares

Fisioterapeuta Esportiva

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Estabilização Segmentar Dinâmica da Coluna Vertebral – O que é?

estabilização de coluna

Hoje em dia, muitos de vocês já ouviram um Fisioterapeuta, um Educador Físico ou um Médico dizendo: “Precisamos trabalhar seu CORE” “Este paciente precisa de uma Estabilização de tronco (ou de coluna)”. Mas o que isso significa?

O sistema de estabilização da coluna vertebral consiste de três subsistemas. As vértebras, os discos, e ligamentos constituem um subsistema passivo. Toda musculatura e tendões ao redor da coluna que podem aplicar forças a ela, constituem um subsistema ativo. Os nervos e o SNC (Sistema Nervoso Central) formam o subsistema neural, que determina a necessidade da estabilização da coluna pelo monitoramento dos vários sinais nervosos e direciona o subsistema ativo para que seja providenciado a estabilização necessária.

Qualquer disfunção de qualquer componente dos subsistemas pode levar a uma ou várias dessas três possibilidades:

  • Uma resposta imediata dos outros subsistemas para compensar;
  • Uma adaptação a longo prazo de um ou mais subsistemas;
  • Uma lesão em um ou mais componentes de qualquer subsistema.

Já é um conceito que a primeira resposta (a um estímulo, isto é, um movimento, um exercício, etc) resulta de uma função normal; a segunda resposta leva à função normal – mas com um sistema estabilizador alterado; e a terceira resposta leva à disfunção do sistema de estabilização como um todo, produzindo, por exemplo, dor lombar.

Em situações onde uma carga adicional (musculação, carregar uma mala) ou posturas complexas são antecipadas, a unidade de controle neural pode alterar  a estratégia de recrutamento muscular (quais músculos vão ser utilizados), com o objetivo temporário de aumentar a estabilidade da coluna além do normal.

Por isso, é importante trabalhar os músculos da coluna, as posturas e até o planejamento de nossas atividades para que futuras lesões e/ou dores nas costas sejam prevenidas e/ou tratadas. Isso é o que chamamos de uma verdadeira reeducação postural – Ossos, músculos, ligamentos, sistema nervoso central trabalhando em conjunto e de maneira harmoniosa para garantir sua força e estabilidade de tronco. O fisioterapeuta consegue trabalhar isso com seu paciente através do atendimento individualizado na Cinesioterapia, no Pilates solo e aparelhos, no Treinamento Funcional e no RPG. Converse com seu Fisioterapeuta e veja qual a melhor opção para o seu caso.

Fisioterapeutas Esportivas

Izabel Tavares

Karina Palla,

kpalla@institutokellystefani.com.br

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Dicas de treinamento Medicina do esporte

NADANDO COM OS ÓCULOS CERTOS !

dicas
Olá amigos da água, tudo bem com vocês?

Hoje gostaria de falar sobre a escolha de um óculos ideal para a prática de natação. Não, eu não tenho uma empresa que fabrica óculos, nem nenhum patrocínio de alguma marca! Rsrsrs…

Meu objetivo aqui é apenas esclarecer algumas dúvidas sobre um assunto que parece simples, mas na verdade, gera dúvida na maioria das pessoas que nadam, principalmente os iniciantes.

Os óculos na natação podem ser comparados ao tênis para um corredor, se eles não estiverem confortáveis, me perdoem pelo trocadilho, incomodam como uma “pedra no sapato”.

De uma maneira geral se você é um nadador de piscina (competitivo ou não), provavelmente irá preferir óculos menores e aqui vale ressaltar, se sua piscina for coberta, dê preferência aos óculos com lentes claras, isto irá facilitar a sua visão em ambientes com iluminação artificial.

Se você for um nadador de águas abertas, provavelmente irá preferir óculos com lentes um pouco maiores e vale lembrar que para nadar em águas abertas, o ideal é que as lentes sejam escuras, pois desta maneira o sol não será um problema para quando você estiver nadando no mar, ou em uma represa, ou até mesmo em uma piscina descoberta num dia ensolarado.

Veja bem, usei a palavra provavelmente, pois a escolha de um óculos, assim como a escolha de um tênis específico para a sua pisada é muito pessoal e deve ser feita com critério, pois cada pessoa tem um formato de rosto. Em geral os óculos feitos em silicone são muito mais confortáveis e vedam melhor do que os feitos de plástico, independente do formato de rosto que você tenha!

Hoje já existe uma variedade muito grande de modelos e materiais, desde óculos monocromáticos a coloridos, com lentes polarizadas que oferecem 100% de proteção UVA e UVB, óculos com grau, para quem tem algum problema de visão, sim, algumas marcas já os vendem prontos. Vale a pena na hora de comprar você experimentar e sentir-se confortável usando seus óculos. Em algumas lojas é possível até colocar touca e colocar o rosto na água, uma espécie de “provador de óculos”, para que você tenha certeza de que está fazendo a compra certa.

Todos os óculos vem com uma película na parte interna das lentes que tem a função de antiembaçante. Para que a sua vida útil seja grande, não passe toalha, os dedos, ou nenhum tipo de tecido nesta parte das lentes, pois desta maneira poderá riscá-las e diminuir consideravelmente a vida útil do antiembaçante. Algumas marcas vendem um líquido antiembaçante para ser borrifado nas lentes, já testei alguns que funcionaram muito bem! Mas se perceber que depois de algum tempo de uso, mesmo com várias tentativas de ajuste seus óculos estão embaçando e está entrando muita água, não tenha dúvida, está na hora de trocá-los.

Ah, mais um lembrete importante: caso seu objetivo seja competir, em piscina ou em águas abertas, o ideal é que já tenha feito vários treinos com seus óculos, para evitar surpresas desagradáveis no dia de sua competição! E tenha sempre um óculos reserva ( igual ao que você já está acostumado a usar! ). Como diz um grande amigo meu: um bom nadador sempre tem dois óculos e duas toucas em sua mochila !

Um abraço, bons treinos e até a próxima!

Rodrigo Chiquie Ali
Personal Trainer – CREF – 040.915- G/SP
It’s Possible Assessoria Esportiva
itspossibleae@gmail.com

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Artigos Medicina do esporte

ENTENDA O QUE É VALGO DINÂMICO E COMO PODE INFLUENCIAR NO SURGIMENTO DE LESÕES

O valgo dinâmico do joelho é uma alteração biomecânica envolvendo todo o membro inferior, causando diferentes problemas a curto e longo prazo. Quando a causa tem inicio no quadril, torna-se uma cadeia descendente de disfunções no membro inferior.

Caracteriza pelo movimento excessivo de adução de quadril, rotação medial (joelho para dentro) e hiperpronação de calcâneo (pisada para dentro), durante o andar, descer degraus e correr por exemplo.
Pode ser causado pela fraqueza muscular dos glúteos, transverso do abdome, multífidos (CORE); eles têm função de estabilizar pelve, tronco e membro inferior, evitando movimentos errados durante a caminhada e corrida.
Em especial o glúteo médio, possui grande importância neste caso, ele impede que a pelve contralateral fique mais baixa, “caia” durante a fase de apoio do pé no chão (como marcado na foto), desencadeando sobrecarga na articulação do joelho.
Surgindo lesões do tipo síndrome trato íliotibial (dor em queimação e/ou rigidez no compartimento lateral do joelho), síndrome femoropatelar (dor anterior no joelho) entre outras.
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Por isso é importante o fisioterapeuta avaliar o atleta dinamicamente, ou seja, observar o alinhamento do membro inferior e tronco no momento da corrida, seguido de exercícios educativos e de fortalecimento muscular, com objetivo de corrigir o valgo dinâmico, prevenindo as lesões. Veja alguns exercícios comprovados cientificamente que melhor recruta os músculos estabilizadores do valgo dinâmico

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Fisioterapeutas Esportivas

Verônica Erbst,

verbst@institutokellystefani.com.br

Karina Palla,

kpalla@institutokellystefani.com.br

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Dicas de treinamento Medicina do esporte

SIM, A RESPOSTA É SIM!!!

 SAÍDAS, VIRADAS E OUTROS FUNDAMENTOS!
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Olá nadadores, tudo bem?
Hoje vou falar sobre assuntos que sempre surgem nas bordas de piscina, principalmente para os atletas de triathlon e maratonas aquáticas. A primeira dúvida que gostaria de esclarecer aqui é a seguinte: devo nadar outros nados, mesmo sabendo que só vou nadar crawl nas minhas provas de triathlon e maratona aquática?
A resposta é SIM! Se pensarmos apenas no princípio da especificidade, poderia afirmar que o ideal é nadar apenas crawl, porém, se pensarmos que quanto melhor for a vivência aquática, quanto mais íntimo dela o atleta for, melhor será o seu resultado, o ideal é sim nadar outros nados.
O aprendizado e a prática de outros nados, faz com que o atleta aplique forças diferentes na braçada e na pernada, melhore a coordenação motora e incremente a força na braçada, no caso do nado de borboleta, por exemplo. A soma destes fatores irão melhorar muito a sua técnica do nado crawl. Outro fator importante é que quando você se cansar quando estiver nadando no mar, uma forma eficiente de descansar é nadando peito, é sempre bom ter uma carta na manga.
Então, se você é triatleta ou nada águas abertas e só treina crawl, está na hora de rever os seus conceitos e tentar aprender outros nados e fazê-los de uma forma complementar, pois eles irão ajudar e muito no seu nado de crawl.
Outra pergunta que sempre escuto e esta, sempre em tom de piada: Professor no mar não tem borda, preciso fazer virada olímpica nos treinos? SIM! A técnica dos nados deve ser ensinada independentemente do objetivo, isso inclui o nado e todos os seus fundamentos (saídas e viradas). A virada do nado crawl  melhora a capacidade respiratória, além de melhorar a flexibilidade e a propriocepção. Muitas pessoas não executam a virada do nado crawl porque não aprenderam a respiração da maneira correta e na fase do giro na virada deixam entrar água no nariz . Por esta razão, muitas pessoas desistem de tentar aprender a virada do nado crawl, nestes casos o ideal é treinar cambalhotas de várias maneiras dentro da piscina e fazer exercícios de respiração para melhorar esta coordenação respiratória. Então, se você não tem labirintite, ou outro problema que o impeça de realizar a virada olímpica, peça ao seu professor que faça uma sequencia pedagógica para que você aprenda e tira todas as vantagens que este fundamento pode lhe trazer.
Pessoal, a prioridade é e sempre será o nado crawl (com saídas e viradas hein!), porém é interessante que os outros nados entrem na periodização de uma forma complementar, melhorando a técnica e o desempenho do nado Crawl.
Bons treinos e até a próxima!
Rodrigo Chiquie Ali
Personal Trainer – CREF – 040.915- G/SP