A Síndrome do Overuse – Lesões por Sobrecarga

De maneira geral, as lesões por sobrecarga são causadas ou agravadas por movimentos repetitivos, sejam eles durante o trabalho, nas atividades cotidianas ou nas práticas esportivas. Durante a prática de um esporte em que os movimentos ocorrem de forma cíclica, como, por exemplo, o ciclismo e a corrida, microtraumas nos músculos e nas articulações podem estar presentes. Caso não for dado tempo suficiente para recuperação destes microtraumas, os danos acumulam-se. À longo prazo, a degradação da qualidade dos músculos e ossos  pode dar origem à Síndrome do Overuse. Esta síndrome engloba várias doenças também conhecidas como “Lesões por Esforço Repetitivo” (LER) como, por exemplo, a fratura por estresse, uma das mais comuns em praticantes de atividades esportivas.

O diagnóstico é feito pelo médico ortopedista.

Sintomas:
Alguns atletas pensam, erroneamente, que a quantidade excessiva de exercício físico melhora sua técnica e desempenho no esporte praticado. Ao pensar e agir desta forma, estes atletas não conseguem obter o descanso adequado após suas atividades físicas e, assim, surgem os primeiros sintomas das lesões por sobrecarga. Os sintomas tendem a desenvolver-se gradualmente e, os principais sintomas incluem dor, fadiga muscular e rigidez, muscular ou articular. Tipicamente, a fadiga vem acompanhada de alterações sensitivas de difícil localização, além da sensação de edema, embora, muitas vezes, não seja visível ao exame físico.

Gradualmente, os danos estruturais podem reduzir e alterar a composição óssea e a capacidade contrátil e elástica do músculo levando à limitação funcional da região lesionada. Se não tratadas corretamente e, caso o impacto das atividades não seja retirado, as lesões podem se agravar. As conseqüências mais graves são as rupturas totais de tecidos moles, como os músculos e a fratura óssea completa.

Outro sintoma importante apresentado por aqueles que apresentam fadiga e dor decorrentes das lesões por sobrecarga é a utilização do membro contralateral na tentativa de compensar as disfunções do membro acometido. Dessa maneira, as mesmas dores podem aparecer no outro membro devido à tentativa de evitar a sobrecarga no membro já lesionado.

 

Como Prevenir as Lesões por Sobrecarga:

Algumas medidas são necessárias para evitar as Lesões por Sobrecarga. Primeiramente, o atleta deve ter conhecimento das suas condições e limitações físicas. Além disso, compreender que toda a prática esportiva inclui fatores de riscos para lesões que devem ser minimizados para evitá-las.

Geralmente, esse tipo de lesão está associado ao erro de técnica do gesto esportivo e erro de treinamento. A maioria das pessoas precisa de um treinamento no início de um novo esporte para aprender os fundamentos e desenvolver suas habilidades. Seguir um programa de treinamento dado por um profissional competente e que inclua intensidades de carga variadas e duração adequada à freqüência de treinos a ao perfil do atleta é um bom começo. É importante começar devagar e aumentar o tempo de treinamento e a intensidade ao longo do tempo de experiência na prática da modalidade. Realizar um aquecimento prévio ao início das atividades físicas também é um ótimo preparo para o corpo para receber o impacto e os esforços demandados pelo exercício físico.

Em paralelo à prática específica da modalidade esportiva, um preparo e um condicionamento físico são necessários para dar suporte ao treino. Problemas de desequilíbrio, fraqueza e falta de controle muscular agravam os riscos de lesões por sobrecarga. Além disso, uma baixa resistência cardiorrespiratória também predispõe o atleta à estas lesões. Dessa forma, para evitar esses problemas, variar a rotina de treinamento físico e realizar treinamentos multifuncionais ajudam a melhorar o preparo e o condicionamento físico do atleta.

A utilização de equipamentos adequados em superfícies adequadas também podem diminuir os riscos de estresse sobre os músculos e articulações e, consequentemente diminuir o risco de lesão. Calçar um tênis confortável e mais indicado ao tipo de pisada é importante, especialmente para os corredores. Palmilhas podem ajudar a distribuir melhor a pressão exercida na planta do pé e amortecer o impacto transmitido para os membros inferiores. A substituição periódica do calçado também se faz necessário. Para os ciclistas, realizar o bike fit é indicado para o ajuste perfeito da bike ao corpo e, assim, melhorar o desempenho e evitar as lesões por sobrecarga.

 

Tratamento Fisioterapêutico:

Inicialmente, o tratamento deve incluir o repouso, retirando-se a sobrecarga da região lesionada. A crioterapia (terapia com gelo) também é indicada nos casos de lesões por sobrecarga com objetivo de diminuir a inflamação local e a dor por ela causada. Progressivamente, exercícios de alongamento e fortalecimento da musculatura da região lesionada são bem-vindos. Estes exercícios ajudam a diminuir o desequilíbrio e a fraqueza muscular e aumentar sua flexibilidade assim como a amplitude de movimento. Dessa forma o atleta se prepara para receber novamente o impacto das atividades esportivas.

O retorno ao esporte também se faz de forma progressiva. A hidroterapia, ou seja, a terapia em meio aquático ajuda a diminuir o impacto causado pelas atividades físicas e realizar as ações motoras com mais precisão. Muitos atletas tentam voltar de uma lesão muito rapidamente. Frequentemente, eles desenvolvem uma lesão de esforço secundário, enquanto tenta recuperar o tempo perdido. Muitas vezes, a reaprendizagem da técnica esportiva se faz necessária para corrigir possíveis compensações apresentadas no decorrer da lesão.

O tratamento deve ser focado na causa das lesões, ou seja, localizar o foco do problema (erro de treino e de técnica, equipamentos inadequados, etc) e saná-lo.
É importante salientar que o enfoque multidisciplinar também se faz necessário, com a abordagem médica, fisioterapêutica e psicológica para que o atleta volte à prática esportiva ao nível anterior à lesão e sem riscos de recidiva.