Atuação da Fisioterapia nas Úlceras de Pressão

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A Secretaria de Estado da Saúde – SES-SP promoveu no dia 5 de maio o seu I Simpósio Multidisciplinar de Prevenção e Tratamento de Feridas, direcionado às equipes multiprofissionais de saúde.

Neste dia, tivemos a minha participação (fisioterapeuta Izabel Tavares  em nome da UNIFESP) na mesa redonda “Dilema da não cicatrização” e participei com a palestra: “O Papel do Fisioterapeuta na prevenção e no tratamento das Úlceras de Pressão.”

As Úlceras de Pressão, também chamadas de escaras, úlceras de decúbito, ou até úlceras de leito são feridas causadas por pressão contínua em alguma região do corpo (por exemplo, o calcanhar apoiado na cama). Essa pressão interrompe o fluxo sangüíneo da pele, levando a necrose e subsequente eritema, bolhas, ulcerações até lesões com escaras.

Os locais mais comuns onde ocorrem as úlceras são:

  • Ísquios (24-50%)
  • Sacrococcígea (23%)
  • Trocantérica (15%)
  • Calcânea (8%)
  • Maleolares (7%)
  • Cotovelos (3%)
  • Occipital e escapular (1%)

A pressão média da nossa pele e de 25mmHg. Pressões externas maiores que 30mmHg podem destruir os vasos sangüíneos.  Alguns fatores podem facilitar o aparecimento das úlceras, eles são divididos em:

Fatores extrínsecos:

  • Pressão
  • Fricção
  • Cisalhamentos
  • Umidade

E fatores intrínsecos:

  • Imobilidade
  • Alterações de sensibilidade na pele
  • Idade avançada
  • Deficiências nutricionais

As úlceras de pressão também são divididas por graus de severidade:

  1. Resposta inflamatória aguda = um eritema em pele íntegra, persistente mesmo após o alívio da pressão.
  2. Perda tecidual da epiderme e/ou derme = úlcera superficial, bolhas, abrasões, crateras rasas.
  3. Comprometimento do tecido cutâneo profundo até a fáscia muscular = perda completa da pele.
  4. Destruição extensa dos tecidos = ulceração completa com tração excessiva, necrose tecidual, dano ao músculo e ossos.

No paciente internado ou em pacientes acamados em casa ou instituição, o Fisioterapeuta têm grande atuação, principalmente nas mudanças de decúbito, ou seja, mudar a posição do paciente na cama, pelo menos de 2 em 2 horas (atividade compartilhada com a Enfermagem); realizando exercícios ativos/assistidos/passivos comuns à Fisioterapia motora; observar o estado geral do paciente e a integridade da pele para evitar a formação de novas úlceras e para acompanhar o fechamento das úlceras já existentes; e a saída do leito/cama precoce, ou seja, assim que possível depois da cirurgia.

O tratamento realizado pela fisioterapia também pode incluir o uso de alguns aparelhos:

Laser de Baixa Intensidade: Atua na pele aumentando a migração de fibroblastos (células de cicatrização), e consequentemente a formação de colágeno, que é promovido pela dilatação dos vasos sangüíneos, gerando melhores condições para a cicatrização rápida da úlcera. Ele possui algumas contra-indicações em pessoas com neoplasia diagnosticada, focos infecciosos e gestantes.

Ultra-som terapêutico: Em modalidade de penetração profunda, é uma forma de energia mecânica que consiste em vibrações de alta frequência. Isso acelera a cicatrização da ferida pois aumenta a fase inflamatória, estimulando células (macrófagos) a liberarem fatores de crescimento e agentes químicos que são necessários para o desenvolvimento de um novo tecido conjuntivo, ou seja, pele nova.

 

Sempre devemos lembrar que o mais importante para o tratamento do paciente é a presença de uma equipe multiprofissional, ou seja, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, entre outros; trabalhando juntos em busca de um só objetivo: o bem-estar do paciente.

 

Isabel Tavares

Fisioterapeuta Esportiva

www.institutokellystefani.com.br