A nutricionista Fernanda Palma fala sobre chocolate

Quem não gosta de chocolate?

É raro encontrar pessoas que não gostem de um bom chocolate!
Entre os esportistas o chocolate é muito consumido, não só pelo delicioso sabor, mas também por ser um alimento altamente calórico e rico em carboidratos, assim repondo as energias gastas nas ardoas sessões de treinamento.

No entanto, não é um alimento para ser consumido a qualquer momento, devido ao seu conteúdo excessivo de açúcar e gordura, podendo atrapalhar o rendimento durante um treino ou competição.

É unânime, na ciência da nutrição esportiva, a eficácia do consumo de carboidratos no rendimento esportivo. Diversos estudos comprovam que nenhum nutriente é capaz de influenciar no desempenho físico como os carboidratos. Isso porque eles são a principal fonte de energia para o nosso organismo e a sua falta durante o exercício é capaz de alterar, não só o trabalho muscular, o metabolismo de proteínas e gorduras, dificultando a queima de gordura e o aumento da massa muscular, mas como alterações das funções do sistema nervoso central (SNC) causando cefaléia, náuseas, tontura e desmaio.

Para entender o porque destes efeitos indesejados causados por uma barrinha de chocolate antes do treino, devemos entender melhor o mecanismo de ação dos carboidratos simples.

O que acontece quando comemos doce:O açúcar, ou carboidrato simples (açúcar contido em doces, chocolates, e balas) também chamado de glicose apresenta uma absorção rápida, ou seja, após passar pelo trato digestório (boca, estomago e intestino) entram rapidamente na circulação causando uma hiperglicemia (aumento dos níveis de glicose no sangue) e conseqüentemente a liberação de grande quantidade de insulina (hormônio responsável por transportar a glicose do sangue para dentro das células). Essa grande liberação de insulina (Hiperinsulinemia), transporta rapidamente toda a glicose para dentro da célula, causando uma queda na glicose circulante, chamada de hipoglicemia, também conhecida como hipoglicemia de rebote. Portanto, após aproximadamente meia hora depois de ingerir um chocolate, ocorre uma queda na concentração da glicose sanguínea, caracterizando um quadro desfavorável à prática de atividade física.
Conseqüências desta ingestão pré exercício:

  • Devido à falta de glicose circulante, inicia-se precocemente a utilização de glicogênio muscular;
  • Em função da alta concentração de insulina e a baixa concentração de carboidratos circulantes, ocorre a inibição da utilização de gorduras como fonte de energia;
  • Proteínas também são utilizadas como fonte de energia na falta de carboidrato;
  • Alterações do SNC, uma vez que este é dependente exclusivamente de glicose;
  • Fadiga Precoce decorrente da somatória de tais conseqüências.
A melhor hora cara comer Chocolate.

Apesar da maior necessidade de ingestão de carboidrato pelos esportistas, esta deve ser baseada em fontes de carboidratos complexos (pães, massas, batatas, arroz, cereais integrais etc), pois são absorvidos de forma mais lenta e gradual, garantindo energia a curto e médio prazo e evitando as complicações citadas a cima.
No entanto o consumo de chocolate e outros doces podem ser favoráveis à alimentação do atleta.
Na fase de recuperação, o carboidrato simples, portanto de rápida absorção, pode auxiliar na reposição das reservas de glicogênio, uma vez que este processo é otimizado quando ocorre a ingestão de carboidratos em quantidades suficientes imediatamente após o termino do exercício, até as primeiras quatro horas subseqüentes.
Outro momento em que o chocolate pode ser utilizado é após uma refeição, servindo de complemento calórico. Porém esta refeição deve ser feita até três horas antes da atividade a ser praticada, assim dando tempo para a normalização dos níveis hormonais.
Para um consumo moderado, no momento apropriado, para uma pessoa fisicamente ativa, 30 gramas de chocolate são o suficiente para uma ingestão sem prejuízos.
È importante lembrar que o consumo em excesso de chocolates e doces além de atrapalhar a performance pode contribuir para o aumento do peso, e ainda para uma menor qualidade alimentar, pois este tipo de alimento tem muitas calorias e poucos nutrientes.

Bibliografia:
McARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V.L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5° ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A.,2003.
SALGADO, J. M. Pharmacia de Alimentos. São Paulo: Madra editora, 2000.
Journal of Agricultural and Food Chemistry – 03/11/03. Disponível em: www.saudeemmovimento.com.br

Por: Fernanda Lissoni Palma, Nuticionista Esportiva
fernanda.palma@allianceclinica.com.br