Entorses de Tornozelo

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O traumatismo das estruturas ligamentares do tornozelo é uma lesão desportiva bem comum. A maioria dessas lesões ocorre na parte lateral do tornozelo (e geralmente com o pé para dentro). O tipo de entorse mais comum do tornozelo é o entorse que combina os movimentos de plantiflexão (posição do pé no ballet) com inversão (“virar o pé para dentro”). O dano inicial acomete os ligamentos laterais do pé, sendo que eles são compostos por 3 ligamentos diferentes: o talofibular anterior,  o calcaneofibular e o talofibular posterior. De acordo com a intensidade da energia dissipada no entorse os ligamentos são lesionados 1, 2 ou os 3.

Os sinais e sintomas dessa lesão variam de acordo com a gravidade do entorse, os tecidos acometidos e a extensão de seu acometimento. Em geral, são evidentes graus variáveis de dor, edema, hipersensibilidade localizada e incapacidade funcional (incapacidade de realizar as atividades da nossa vida diária).

Após um entorse de tornozelo, a consulta ao médico ortopedista especialista em pé e tornozelo é muito importante, já que ele vai avaliar o grau do entorse, os exames a serem realizados e qual tratamento seguir.

Independente de qual tratamento seguir, o paciente geralmente necessita de um tratamento fisioterapêutico, para seu retorno total às atividades diárias e deportivas.

O tratamento fisioterapêutico para os entorses de tornozelo tem, por objetivo, proporcionar estabilidade dinâmica a uma articulação potencialmente instável. Durante a fase aguda (com imobilização ou não), devemos enfatizar o controle da dor e a manutenção do condicionamento geral do paciente. Geralmente usa-se o gelo (crioterapia) com compressão focal ao redor da parte lateral do tornozelo; eletroterapia para auxiliar na redução do edema e da dor. Dependendo do grau de lesão, os movimentos do tornozelo guiados pelo fisioterapeuta e a marcha com sustentação parcial ou total do peso, e os exercícios isométricos são liberados.

Em uma fase mais intermediária do tratamento, nossa atenção se volta para os ligamentos em fase de cicatrização. A sustentação do peso deverá progredir até o apoio pleno do pé durante a caminhada. Os exercícios evoluem e pode-se inicar treinos em bicicleta estacionária e alguns exercícios de equilíbrio e propriocepção.

Na fase terminal da reabilitação, deverão receber prioridades as atividades progressivas em cadeia cinética fechada com ênfase na restauração da percepção cinestésica e da força do quadril.

Espere um pouco…..Quadril? Entorse de tornozelo?

 

Sim!

Em 1994, Bullock-Saxton (*) nos mostrou que a função dos músculos do quadril é comprometida com as entorses de tornozelo. O recrutamento do músculo glúteo máximo pode ser retardado durante a extensão do quadril (levar a perna toda para trás) durante a caminhada normal; e a fraqueza do músculo glúteo médio pode fazer aumentar o estresse de inversão (“levar o pé para dentro”) imposto ao tornozelo.

Com o paciente quase reabilitado, precisamos treinar os gestos esportivos e evoluir com os treinos de equilíbrio, propriocepção e iniciar os treinos de pliometria (saltos).

Com essa visão mais diferenciada sobre os entorses, conseguimos retornar o paciente às suas atividades com conhecimento para prevenir futuras lesões, além de integrar melhor sua propriocepção corporal.

 

(*)Bullock-Saxton, J.E (1994): Local sensation and altered hip muscle function following severe ankle sprain. Phys Ther., 74:17-31

Izabel Tavares

Fisioterapeuta Esportiva