O Bike Fit Moderno: perigos e perpectivas.

 

 

Talvez o título pareça um pouco esquisito à primeira olhadela, uma vez que, quando se trata de Bike Fit, a palavra “Moderno” nem precisaria estar associada, já que se trata de um conceito moderno em sua essência. Mas, o que quero dizer com esse termo ficará claro à medida que o amigo for caminhando por essas linhas.

Desde que as principais fábricas de bikes decidiram criar modelos que levassem a identidade de suas marcas, e com o advento de competições cada vez mais exigentes para o atleta profissional e amador, o processo de ajuste da bicicleta ao ciclista se tornou uma condição praticamente imprescindível para um bom rendimento e máxima segurança ao pedalar. Qualquer um que decida pegar a bike e sair pedalando sentirá que, sem um ajuste fino, é como se estivesse andando em uma trilha com sapatos mal ajustados. Consequentemente, surgem inúmeros sistemas e métodos para a realização do chamado “Fit”. E é aqui que precisamos saber bem onde estamos pisando.

O ponto é que, o rendimento esportivo de um atleta depende de inúmeros fatores que agem conjuntamente. Sua saúde geral, condicionamento cardiovascular, características corporais musculoesqueléticas como histórico de lesões, características antropométricas, nutrição, regime de treinamento e claro o ajuste à bicicleta. Sendo assim, seria muito simples dizer que o “Fit” é o principal responsável pela performance esportiva. Obviamente não o é! Mas, é sim um fator que vai garantir segurança e conforto ao ciclista, e que desta forma, levará ao máximo aproveitamento de todas as potencialidades do binômio atleta-bike.

Os métodos de ajuste disponíveis no mercado não podem ser levados como o “fiel da balança” no processo de ajuste. O mais importante em todo o processo é a capacidade da pessoa que conduz a análise. Não adiante ter um sistema completo e moderno, se não houver no comando dele uma pessoa capacitada para tirar as conclusões acertadas. O que quero dizer é que não basta usar o sistema mais sofisticado sem saber exatamente o que se está fazendo. Seria como datilografar em um computador!

O movimento humano é muito variável, e se sabe atualmente que não há um padrão existente para garantir máximo desempenho no esporte. Esse padrão é gerado por cada pessoa, e por essa razão a análise precisa ser individual e o ajuste deve ser personalizado. O sistema precisa dar versatilidade ao examinador, e não fornecer apenas números que serão interpretados como regras. Não é incomum encontrar programas de Bike Fit que seguem essa linha. Agora, acredito que ficou clara a razão do título dessa matéria, não é mesmo?

O importante é realizar as análises segundo as variáveis mais importantes para cada ciclista, respeitando as características e objetivos de cada um, sem apenas seguir protocolos.

Busque sempre o melhor pra conduzir uma análise! Não busque o “sistema melhor”. O melhor sistema é aquele que garante versatilidade. E o melhor Fit é aquele feito com o maior controle do que foi coletado e com o mais alto nível de personalização.

Pedro Sampaio

Fisioterapeuta especialista em Biomecânica

psampaio@institutokellystefani.com.br