Réplica de um amigo triathleta, oficial aposentado do Corpo de Bombeiros

Esse texto foi reproduzido na íntegra a partir de comentários do facebook  da página Costama no dia 17/02/2014 (que compartilhou o texto do blog) e o Jefferson Vilela fez seus comentários.

Com a autorização dele copio aqui o texto que ele escreveu para mim e que é extremamente importante e esclarecedor sobre a Polênica do 23 Triathlon Internacional de Santos.

Para quem não o conhece ele é oficial aposentado do Corpo de Bombeiros e portanto uma pessoa com vasta experiência em salvamentos aquáticos por residir e ter trabalhado na cidade de Santos. Ele tem uma história vasta em provas de triathlon desde o Troféu Brasil de Triathlon em Santos até Ironman. Quem vive nesse meio do triathlon e provas certamente já o viu competindo sempre sorridente acompanhado pela sua bela esposa.

Kelly Cristina Stéfani você sabe o quanto a adoro em toda sua história de superação e garra, mas tenho que discordar com você em alguns pontos, e tenho certeza que quando você tiver ciência do que aconteceu na parte de segurança no mar, irá rever algumas opiniões suas, ou mantê-las, afinal cada um tem uma e temos que repeitá-las democraticamente.
Você deve saber que sou oficial do Corpo de Bombeiros e durante muitos anos fui responsável direto pela parcerias Corpo de Bombeiros/Prefeitura de Santos/NA Promoções, hoje estou aposentado há mais de 10 anos, então creio que tenho credibilidade para falar.
Ontem (domingo), logo que coloquei o pé na areia, procurei os oficiais do Corpo de Bombeiro que estavam na prova e após uma breve reunião concordamos de que não haveria condições de garantir a segurança da prova aos atletas participantes, isso realmente já passava das 7 horas e as boias ainda estavam na faixa de areia, e não havia nenhum caiaque dentro dágua, todos estavam na areia. Então os oficiais procuraram a organização da prova (Núbio de Almeida)para ratificar a posição do CB de que não haveria condições de garantir a segurança para os participantes da prova e que aconselhava a suspender a etapa no mar (O CB não tem poder de polícia para suspender a prova, é constitucional). Diante desse fato o organizador da prova disse que assumiria a responsabilidade sobre a segurança da prova, através da sua equipe. Os Oficiais do CB arrolaram testemunhas para que o fato fosse devidamente presenciado, inclusive com a presença do secretário adjunto de esportes de Santos como testemunha. Os oficiais presentes na reunião disseram que de qualquer maneria ainda iriam reforçar a segurança e foram deslocadas embarcações e viaturas de São Vicente para isso.
A partir daí a organização da prova alegando que o mar estava “baixando” colocou os caiaques e boias ao mar. Você talvez não conheça ou se conhecer me desculpe a observação, mas no mar existem períodos de calmaria e entrada de séries, que são imprevisíveis e foi num breve momento de calmaria que foram posicionadas as boias e entrada dos caiaques, só que aí vai um detalhe, todos se posicionaram além da linha da arrebentação, que estava entrando com séries muitas vezes superiores a 1 metro de altura.
Como você relatou largaram os profissionais, a categoria 50+ militares, portadores de deficiências (outro detalhe nesse momento que fiquei sabendo depois, a Marleyde, deficiente visual foi várias vezes ao fundo e foi salva pela sua guia, Verônica, e resgatada por uma embarcação do CB, depois o feminino e a 24-29 45-49. Na hora da largada do feminino entrou uma série “estúpida”, várias mulheres não conseguiram atravessar a arrebentação, que encavalou com a largada masculina, foram feitas dezenas de salvamentos SÉRIOS de mulheres e homens, não só por parte do Corpo de Bombeiros, mas também por vários professores e triatletas que entraram no mar para isso e aí penso que você fez um erro de julgamento, o Corpo de Bombeiros não adotou uma posição PASSIONAL e sim técnica ao interromper as largadas, pois a organização que havia assumido total responsabilidade sobre a segurança, foi incapaz de garantir isso na prática, ficando toda a carga nas costas do CB e de colaboradores, pois os caiaques estavam posicionados após a arrebentação e todos os salvamentos e piores momento ocorrem na arrebentação, esse é outro dado técnico que muitos des conhecem e veem que os caiaques e nadadores estão tranquilos “out side”, enquanto todo o perigo ocorrem na entrada e saída do mar, mas nem você e nem ninguém tem obrigação de conhecer isso.
Então analisando tecnicamente,o Sargento que estava no comando das operações na areia, interrompeu as demais largadas, em nome da VIDA, da preservação da VIDA e não pensando em esporte, dinheiro, prova, ser melhor do que ninguém, ser nadador e não corredor, como tantas outras besteiras que já vi escrito e discuti veementemente com atletas que se acham superiores a tudo.
Com relação às demais lambanças que ocorreram poderia escrever mais 3 páginas e seria pouco, mas fiz questão de aproveitar seu post no blog para esclarecer esse ponto sobre a segurança no mar, que desencadeou tod o resto.
Mais uma vez quero expressar todo o respeito que tenho sobre a sua opinião, sobre tudo te conhecendo e admirando e sabendo que você não tem nenhum outro tipo de interesse a não ser elevar o nosso esporte e esclarecer essa mancha negra desse domingo.

Beijo querida, sabe que te adoro e o abraço de ontem foi sincero, como será sempre em todas as oportunidades em que encontrar com você. Como disse respeito a opinião de todos e gostaria de agradecer a oportunidade que tive, através de você em expor um pouco mais os fatos. 
Garanto para você uma coisa, doravante em provas aqui na baixada as decisões do CB em provas nunca mais serão contestadas, mesmo que possa gerar interpretações erroneas quanto às decisões. Creio que falhamos todos, ontem, como seres humanos, pois colocamos, de um modo genérico, a vida em segundo plano, 
ALOHA e beijos