Síndrome da Banda Íliotibial em Corredores – Como e Por que ela ocorre?

A Síndrome da Banda Íliotibial é a causa mais comum de dor lateral no joelho em atletas e principalmente em corredores. Ela ocorre devido à fricção repetitiva desse tecido no côndilo femoral lateral, causando uma irritação e inflamação na banda. Para melhor entendermos essa fricção, quando o joelho extende, a banda desloca-se para frente do côndilo e retorna para região posterior ao flexionar. Lembrando que essa fricção é normal e fisiológica. Então por que dói em algumas pessoas e em outras não?
As principais causas dessa lesão estão envolvidas com a fraqueza dos músculos abdutores do quadril, fazendo com que o quadril não seja estabilizado (queda do quadril –figura1)

Figura 1

e consequentemente levando ao encurtamento e/ou tensão do músculo tensor da fáscia lata e banda iliotibial, isto faz com que esta fricção ocorre de forma patológica. No entanto, como toda síndrome, outros fatores podem estar associados como o excesso de treino (overtraining) ou erro de gestos esportivos, por exemplo.
O tratamento da lesão é multidisciplinar, podendo envolver médico, fisioterapeuta e treinador. O objetivo da fisioterapia nestes casos é atuar diretamente nas causas já mencionadas, ou seja, melhorar a ativação/fortalecimento principalmente do músculo glúteo médio para estabilizar o quadril e evitar a sobrecarga da banda iliotibial. Outra opção para estabilizar o quadril são a ativação de músculos profundos do abdome que estão diretamente relacionados com o quadril. Associado ao fortalecimento, o alongamento da banda iliotibial e tensor da fáscial lata, são necessários para devolver o comprimento normal do músculo, e para auxiliar neste processo a fisioterapia conta com algumas técnicas e aparelhos eletroterápicos, como a liberação miofascial e o ultra-som, respectivamente. Além destas principais causas, outros fatores devem ser considerados na reabilitação, como os pés pronados que aumentam a sobrecarga no joelho, e nestes casos as palmilhas para corrigir erros no gesto biomecânicos são boas opções. Após a alta fisioterápica, os pacientes devem manter um bom alongamento e continuar o fortalecimento de glúteo médio, caso contrário, as recorrências são comuns.
No entanto, quem já passou por isso, sabe que não é tão simples assim, cada pessoa responde de maneira específica ao tratamento e apresenta sintomas diferentes também. A principal dica é a prevenção! Para realizar atividades físicas, como a corrida, mantenha sempre um bom treino de fortalecimento e corrida e faça alongamentos com frequência!
Na dúvida de algum exercício, procure sempre um profissional qualificado para ajudá-lo!

André Yoshimatsu e Renan Higashi – fisioterapeutas esportivos