Síndrome da Dor Fêmoro-Patelar

A Síndrome da Dor Patelo-Femoral (SDPF) ou Disfunção Fêmoro-Patelar (DFP) é uma desordem biomecânica (relacionada ao movimento) entre o fêmur e a patela muito comum em corredores ou esportes com movimentos repetitivos. É uma queixa comum de dor que acomete em sua maioria as mulheres e que limita as atividades de vida diária e esportivas.

Como uma síndrome, que tem por significado “conjunto de fatores que geram uma determinada queixa”, a causa da dor é de difícil diagnóstico e muitas vezes associam mais de um fator. O início da dor relacionado à DFP é insidioso, ou seja, surge sem motivos específicos durante atividades rotineiras como ao subir escadas, correr ou até caminhar e cessa quando o corpo não está em movimento. Normalmente, quando pedimos aos nossos pacientes para apontarem a região da dor, observa-se a falta de exatidão do local e o relato de uma dor genérica anterior ao joelho ou até mesmo retropatelar (atrás ou dentro do joelho). Todas estas informações nos levam a pensar a favor desta famosa síndrome.

Dentre os fatores associados a esta disfunção temos os morfológicos e os funcionais. Os morfológicos são aqueles em que a fisioterapia não tem um poder atuação, pois são características que fazem parte de cada indivíduo. Como exemplos, podemos citar a tróclea do fêmur rasa ou a displasia da patela que são alterações ósseas que favorecem a síndrome.

No entanto, a primeira opção de tratamento para DFP é o tratamento conservador, ou seja, a fisioterapia. Isto se deve à capacidade do trabalho fisioterápico em estabilizar a biomecânica patelo-femoral melhorando a dor. Para obtermos sucesso, a fisioterapia se atenta em reestabeler ou potencializar a ação dos músculos sobre esta articulação para compensar as alterações morfológicas.

Atualmente estudos estão comprovando que o fortalecimento e ativação musculares de determinados grupos musculares, como os abdutores, rotadores laterais e extensores de quadril melhoram a DFP. Isto esta relacionado com um fenômeno patológico muito comum no esporte, o valgo dinâmico. Quando os grupos musculares citados anteriormente são reforçados este fenômeno é controlado, melhorando a dor. Mesmo assim, outros fatores podem ser responsáveis ou podem estar associados a esta queixa. Por isso, o trabalho do fisioterapeuta deve abordam diversos níveis do corpo à procura de algo que favoreça a lesão.

Para concluir, a SDFP é uma lesão complexa que a fisioterapia tem um ótimo poder de atuação, no entanto, é necessário que o profissional avalie e procura quaisquer alterações que podem levar a esta queixa para obter o sucesso.

Renan Higashi – fisioterapeuta esportivo

rhigashi@institutokellystefani.com.br