VARIZES

Introdução

Varizes são veias dilatadas, alongadas e tortuosas, sobretudo dos membros inferiores. É a doença vascular mais comum, acometendo cerca de 30% da população geral no mundo todo. Um estudo publicado pelo Professor Maffei em 1992 mostra que, das 1775 pessoas analisadas, a doença varicosa estava presente em 38% dos homens e 51% das mulheres. As complicações decorrentes das varizes representam a 14a. causa de afastamento do trabalho com 2 mil dias de perda de dias de trabalho por ano nos Estados Unidos da América.

As causas das varizes não são totalmente conhecidas porém, acredita-se de se deva a dois mecanismos interdependentes: o  enfraquecimento da parede do vaso e a incompetência das válvulas venosas.

As veias são dotadas de válvulas em diversos níveis que são responsáveis por evitar o refluxo do sangue em razão da gravidade. O que se sabe é que nas veias varicosas, existe uma incompetência destas válvulas resultando em refluxo do sangue em direção ao pé/tornozelo. O que não se sabe é se ocorre primeiro o enfraquecimento da parede do vaso que dilata e acaba afastando dos folhetos valvares, levando ao refluxo ou se ocorre primeiro o refluxo valvar e, como consequência do represamento de sangue, a posterior dilatação do vaso.

Os principais fatores desencadeantes e agravantes são:

Hereditariedade: apesar de se observar um fator familiar evidente, não existem, até o momento, evidências científicas que comprovem esta associação. Entretanto, a maioria dos autores acreditam haver uma forte relação intrafamiliar.

Idade: as varizes são raras até os 14 anos, havendo um aumento progressivo com a idade. Aproximadamente 70% das pessoas ocidentais com mais de 70 anos tem varizes. Entretanto, a maior procura pelo tratamento é vista na população ao entre 30 e 50 anos.

Gênero: as mulheres são acometidas com maior frequência do que os homens, sendo a proporção de 4 mulheres para cada homem com varizes.

Isso se deve ao fator hormonal, sobretudo a progesterona e o estrógeno (hormônios femininos).

Raça: ela é menos frequente nso negros africanos, árabes, indianos e asiáticos.

Obesidade: essa condição acarreta no aumento da pressão intra-abdominal além da compressão dos vasos ilíacos e da cava pela gordura intra-abdominal, aumentando a chance de desenvolver varizes.

Gestação: as varizes são bastante frequentes na gravidez, sobretudo pela ação estrogênica e à compressão das veias da pelve pelo útero gravídico. Elas tendem a aumentar com o número de gestações havendo regressão total ou parcial após o parto.

Anticoncepcionais: são considerados fatores agravantes das varizes por aumentarem a distensibilidade e capacitância venosa e reduzirem a velocidade do fluxo sanguíneo. Além disso, provocam aumento da permebilidade capilar e vasodilatação.

Postura: trabalhar muito tempo de pé não provoca varizes, porém pode agravar uma tendência já existente. O uso frequente de salto alto também funciona da mesma maneira. Já subir e descer escada ajuda no bombeamento do sangue em direção ao coração.

Classificação

Zero – Nenhum sinal visível ou palpável

1 – Teleangectasias (“vasinhos”) ou veias reticulares
2 – Veias varicosas
3 – Edema
4 – Alterações tróficas de pele
5 – Cicatrizes de úlceras
6 – Úlceras ativas (abertas)

1 – Teleangectasias

 

1 – Veias reticulares

2 – Varizes

3 – Edema

4 – Alterações tróficas

5 – Cicatrizes de úlceras

6 – Úlcera ativa (aberta)

Quadro clínico

– Peso
– Cansaço
– Desconforto nas penas
– Dor
– Formigamento
– Queimação
– Câimbras
– Edema (inchaço)
– Prurido (coceira)

Os sintomas ocorrem, geralmente, no período vespertino e vão se agravando com o passar das horas. Pioram com a postura (muito tempo sentado ou de pé), no periodo pré-menstrual, com o calor e costumam aliviar com o repouso e elevação dos membros. No entanto, a maioria das pessoas apresenta pouco ou nenhum sintoma, sendo a queixa predominante o incômodo estético.

Diagnóstico

O diagnóstico de varizes é eminentente clínico. Dentre os métodos diagnósticos que auxiliam na eliminação de outras causas para os sintomas ou para planejamento pré-operatório, o mais utilizado é o ultrassom com mapeamento Doppler colorido. Trata-se de um exame não invasivo (isto é, sem riscos), bastante disponível na maioria dos hospitais e clínicas e de custo acessível. No entanto, deve ser realizado por profissional com experiência em ultrassom vascular, uma vez que a sua acurácia depende sobretudo da metodologia e interpretação do executor.

Tratamento

Fazem parte da abordagem da doença varicosa:

– Medidas posturais
– Controle dos fatores agravantes
– Medicamentos flebotônicos
– Terapia compressive
– Cirurgia
– Escleroterapia (“secagem” dos vasinhos / “espuminha”)
– Laser ou radiofrequência

Procure um profissional qualificado para discutir o seu caso individualmente, obter orientações e esclarecer as suas dúvidas.